Autora: Cida Donato.
O Final do século XIX e o início do XX marcaram o Rio de Janeiro com as transformações que
promoveram em seus espaços e organizações sociais, deixando a cidade partida e esteada por pilares que se dividiam entre a burguesia capitalista e a massa pobre — em sua maioria negros, mesti-
ços e judeus —. Apesar de todo o seu brilhantismo, a Belle Époque carioca não conseguiu ocultar a
contra-cena, a qual colocava em foco os movimentos das margens, movimentos estes que influenciaram, consideravelmente, as digitais da cultura brasileira. É nesse contexto, de pólos antagônicos e
esferas híbridas, que despontou uma das vozes mais subversivas da arte nacional: Chiquinha Gonzaga. Pertencente às duas classes mais discriminadas de seu tempo, mulher e mestiça, Chiquinha
levantou-se contra o autoritarismo masculino e os discursos sectários, defendendo veementemente
as suas idéias e abraçando a sua maior paixão: a música. Em sua eloqüência poética, subverteu a
moral burguesa e encarnou a verdadeira essência do signo dandi, firmando parcerias que foram
fundamentais para a estética da música brasileira, dentre elas a estabelecida com Anacleto de Medeiros, um dos maiores responsáveis pelo ‘abrasileiramento’ da música desse período.

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