Pianista e integrante do grupo de choro Conjunto Subindo a Ladeira, Priscila Matos, faz em vídeo pela primeira vez a valsa de concerto Harmonias do coração, que permaneceu inédita em gravação até o momento, exclusivamente para o site.

Priscila Matos, pianista

Priscila Matos, pianista

Entrevista para o site ChiquinhaGonzaga.com

1. Como surgiu o interesse pela música e pelo piano?

Bom, quem despertou em mim o interesse pela música foi meu irmão mais velho, quando começou a fazer aulas de órgão. Passei um bom tempo insistindo pra minha mãe me colocar nas aulas também mas eu ainda era muito nova e o professor pediu que esperasse um tempo. Minha mãe quis me convencer a tocar outro instrumento, talvez violão, mas eu não queria. Comecei as aulas de piano pouco antes de completar 9 anos e a música nunca mais saiu da minha vida. Acabei compondo uma música que dedico a meu irmão, chamada “Coisas de infância”, que está em meu primeiro CD solo, intitulado “Futuro Traçado”.

2. Em sua formação, quando o nome de Chiquinha Gonzaga apareceu?

Ainda adolescente, eu conheci o nome da Chiquinha Gonzaga e algumas de suas composições mais conhecidas. Aos 20 e poucos anos, ganhei de uma amiga uma pasta com diversas partituras e um pouco da história da maestrina. Sempre quis estudar e conhecer melhor essa figura de grandeza da nossa história, como se algo me chamasse pra isso, não sei. Somente em 2013, porém, é que realmente comecei a ler e estudar sua vida e obra, e foi impressionante como me identifiquei com a personalidade da Chiquinha. Nessa época, o Conjunto Subindo a Ladeira já tinha lançado seu primeiro CD e eu insisti para que nosso segundo CD fosse uma homenagem a Chiquinha Gonzaga. Nem precisava insistir, os meninos toparam na hora!

3. Como você vê essa homenagem a Chiquinha Gonzaga?

Chiquinha Gonzaga é figura de primeira grandeza na história musical brasileira. Uma mulher à frente de seu tempo, rompeu barreiras por sua personalidade marcante, que não aceitava facilmente as convenções sociais da época. São inúmeras composições, em gêneros variados como valsas, polcas, tangos, mazurcas, choros, etc. Sua obra merece sempre ser revisitada e trazida de volta à cena musical; que é a nossa proposta

CD-subindo-a-ladeira4. Como foram os preparativos para o CD? Quais os critérios para o repertório?

Bom, a vontade já existia! Agora era só começar os trabalhos! Primeiramente, começamos a estudar um pouco da vida dela, conhecer melhor até pra entender e absorver melhor sua obra. Depois, entramos no acervo digital do site da Chiquinha e selecionamos umas 50 músicas de diversos gêneros. O próximo passo foi diminuir esse número, selecionando músicas que melhor caberiam na extensão do bandolim e com tonalidades que soassem mais agradável/orgânico no nosso instrumento solista. Por fim, com muita dificuldade, conseguimos ficar com 6 composições para adaptarmos e arranjarmos para a nossa formação: piano, bandolim e pandeiro. Parece trabalhoso, mas na verdade foi muito gostoso todo esse processo de seleção e arranjo.

5. Notamos que há composições em homenagem a Chiquinha no CD, há outras composições em homenagem a outros compositores fora deste CD?

Nosso primeiro CD, lançado em 2012, foi totalmente autoral, com composições minhas e de André Ribeiro, nosso bandolinista. O CD “Homenagem a Chiquinha Gonzaga”, além das 6 composições da maestrina, possui 6 composições nossas, feitas exclusivamente para esse trabalho e que dialogam com as peças da nossa homenageada. A intenção é divulgar a obra da Chiquinha bem como um pouco da produção atual de Choro.

6. Como surgiu o Conjunto Subindo a Ladeira?

Em 2011, eu e André formamos um duo de piano e bandolim. Conheci o trabalho da Fernanda Canaud e do Joel Nascimento através do CD “Valsas brasileiras” e achei muito interessante essa combinação. Fizemos algumas apresentações e compusemos algumas peças, até que tivemos a ideia de chamar nosso querido amigo e grande pandeirista Roberto Amaral, que abraçou o projeto na hora! No final desse mesmo ano, resolvemos registrar esse trabalho e gravamos nosso primeiro CD, intitulado “De Três em Três” (nome da primeira composição que eu e André fizemos em parceria), lançado em 2012.

7. Qual a relação dos demais membros do grupo com Chiquinha Gonzaga?

André Ribeiro e Roberto Amaral são estudiosos e pesquisadores do repertório de Choro, sobretudo de compositores consagrados. Como Chiquinha Gonzaga é uma das precursoras do gênero, eles naturalmente tinham algum conhecimento do repertório da maestrina.

8. Qual sua opinião sobre a obra de Chiquinha Gonzaga? Qual o seu papel em seu repertório musical?

Por ser uma das precursoras do gênero, por sua personalidade marcante, por ter defendido o que é genuinamente brasileiro, a linguagem da nossa música e cultura, os direitos autorais, além de ter realizado um trabalho musical ímpar e de qualidade incontestável, Chiquinha Gonzaga, em minha opinião, é uma das mais importantes figuras da nossa história. Dessa forma, acredito que seja fundamental possibilitar ao público em geral o contato com a obra de uma das maiores artistas que o Brasil já teve, divulgando seu nome, bem como o Choro, primórdio de nossa música popular urbana e que, infelizmente, não é difundido na grande mídia. Certamente, e principalmente após estudar sua vida e obra, as composições da Chiquinha Gonzaga estarão sempre presentes em meu repertório e no do Conjunto Subindo a Ladeira. Viva o Choro! Viva a música popular brasileira! Viva Chiquinha Gonzaga!

Entrevista realizada em maio de 2015

Vídeo
Janniquinha, schottisch de Chiquinha Gonzaga
Priscila Matos, piano


Resumo biográfico 

Priscila Matos, graduanda em Educação Musical na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), trabalhou como professora de piano popular do Conservatório Carlos Gomes e foi responsável pelo acompanhamento musical da Escola Associativa Waldorf Veredas nos anos de 2011 e 2012. Ministrou oficinas musicais através de projetos aprovados pela ASSAOC Oficinas Culturais Hilda Hilst.

Logo no início de seus estudos musicais, em 1992, foi convidada a gravar um especial ao dia das crianças no programa de TV “Pedrito Barreto”, em Aracaju-SE. Nos anos de 2000 e 2001 participou do evento “MC Dia Feliz” como pianista, em parceria com a violinista Ariane Salgado em Natal/RN. Na mesma Cidade, já dividiu palco com diversos artistas de renome como Ticiano D’Amore, Juliano Jow Ferreira, Marco da Costa, Darlan Marley, Paulo César, Paulinho Milton, dentre outros, tendo sido integrante de importantes bandas no cenário musical potiguar como o Seu Zé e o grupo Macaxeira Jazz.

Em 2008, já em Campinas-SP, formou o grupo “Priscila Matos Quinteto”, trabalho autoral de samba e ritmos nordestinos com grandes músicos da região: Edu Guimarães (sanfona), Felipe Siles (teclado), Caio Bertazolli (bateria) e Leonardo França (baixo), tendo participado do 10º Festival do Instituto de Artes da Unicamp em 2009 (FEIA 10).

Em sua formação musical, além da UFSCar, foi aluna da Academia de música Carlos Gomes (Aracaju-SE), Instituto de Música Waldemar de Almeida (Natal-RN) e também concluiu o curso de Harmonia Funcional e Improvisação da Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), ministrado pelo professor Manoca Barreto.

Atualmente, tem dedicado maior parte de seus trabalhos ao Conjunto Subindo a Ladeira, grupo este que gravou seu primeiro CD no início de 2012 e procura divulgar o Choro, nosso primeiro gênero musical, genuinamente brasileiro, tendo gravado seu segundo CD “Homenagem à Chiquinha Gonzaga” em 2014, e ao seu trabalho solo como pianista e cantora, tendo gravado o CD “Futuro Traçado” também em 2014.

Contato: musicapriscilamatos@gmail.com