Clara Sverner. Foto: divulgação

Clara Sverner. Foto: divulgação

Clara Sverner, primeira pianista a realizar um trabalho fongráfico só com composições de Chiquinha. A pianista conta da sua paixão por este repertório e os amigos que encontrou no caminho, em entrevista exclusiva.

Por Wandrei Braga

“… nos anos 80, ninguém falava de Chiquinha Gonzaga…” Disse Clara Sverner com indignação.

Nessa época, seu produtor lhe pediu que escolhesse músicas de salão para gravar um LP. Entre as músicas pesquisadas, Clara Sverner conheceu Chiquinha, pela qual se interessou muito, mas havia poucas partituras da compositora disponíveis.

A pianista ficou sabendo que havia alguém pesquisando a história de Chiquinha Gonzaga, foi quando conheceu Edinha Diniz. Ninguém se interessava em produzir um disco com gravações da maestrina, até o momento em que a pesquisadora a surpreendeu com uma pasta contendo mais de duzentas partituras, a maioria delas inéditas, que fazem parte do seu acervo.

“… levei um susto, não sabia que existiam tantas músicas. E que material… lindíssimo!” Afirma a pianista.

Nesta época, Clara começava a se preocupar em resgatar compositores esquecidos, como fez com a obra de Clauco Velásquez, mas foi por Chiquinha que se apaixonou.

“…Clara Sverner foi responsável pelo ressurgimento de Chiquinha Gonzaga…” Conta Clara o que ouviu de Edinha.

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O LP “O piano de Chiquinha Gonzaga” teve tamanho sucesso que ganhou um segundo volume no ano seguinte. Em 1998, ao saber da homenagem que Chiquinha receberia, com peças de teatro e a minissérie televisiva, procurou as matrizes destes discos para reproduzi-los em CD, mas a Odeon não respondia à sua solicitação.

Clara teve que gravar o repertório novamente que, em sua opinião, ganhou uma nova interpretação. O CD ainda incluía músicas inéditas. Não tendo por onde gravar este disco, resolveu então criar um selo próprio (Ergo) e, no mesmo ano, foi lançado “Chiquinha Gonzaga por Clara Sverner”.

“… parece que Chiquinha baixou em mim…” Conta Clara, com graça.

Clara Sverner é formada pianista erudita. Detentora de um amplo repertório e conhecida mundialmente, foi a primeira a levar a música de Chiquinha aos Estados Unidos e Japão, onde seus discos fazem sucesso até hoje.

“… por mais que eu apresente novos trabalhos, Chiquinha é sempre solicitada…” Conta Clara às vésperas de sua apresentação na capital Natal, em setembro de 2004.

Por fim, a pianista diz ser inexplicável ou até mesmo mediúnica a sensação de interpretar Chiquinha Gonzaga.

“… é como se ela, de alguma forma, respondesse ao meu trabalho.” Finaliza Clara Sverner em entevista excluvisa ao site.

 

Clara Sverner

Intérprete de talento reconhecido por público e crítica do Brasil e do exterior, Clara Sverner teve sólida formação que se iniciou em São Paulo com o professor José Kliass. Aperfeiçoou-se mais tarde nos centros musicais mais avançados, como o Conservatório de Genebra, onde recebeu uma medalha de ouro. e o Mannes College of Music, de Nova Iorque. Premiada no Concurso Internacional Wilhelm Backhaus, ainda adolescente iniciou a vitoriosa carreira que a tornou uma das mais prestigiadas virtuoses brasileiras.

Apresentou-se em recitais e concertos por todos os quadrantes do Brasil e em turnês para platéias da Europa, dos Estados Unidos, do Japão e de Israel. Em seus programas exibe um repertório que escolhe meticulosamente e onde inclui desde antigos virginalistas ingleses do século XVI até os principais representantes do século XX. Privilegiando, antes de tudo, a qualidade estética, o arrojo da invenção e a carga expressiva das músicas que executa, Clara Sverner é uma artista inquieta que não se cansa de se aperfeiçoar, pesquisar e ousar. No domínio da música clássica brasileira, principal responsável pela redescoberta da obras de Glauco Velásquez. Pioneira, também, na revalorização da produção pianística de Chiquinha Gonzaga, a quem dedicou várias gravações. Responsável pela primeira gravação do disco no Brasil com obras de Anton Webern, Alban Berg, Eric Satie e Maurice Ravel, em 1974.

Na sua fecunda parceria com o saxofonista Paulo Moura, aboliu fronteiras, abriu-se para outros universos sonoros, explorando um repertório que abrangia desde os clássicos da nossa música popular, como Pixinguinha, até obras especialmente compostas para o duo por Almeida Prado, Gilberto Mendes e Ronaldo Miranda. Com Paulo, gravou quatro discos, sendo que o disco “Vou Vivendo” ganhou o prêmio Villa-Lobos, em 1986. Sua parceria com João Carlos de Assis Brasil foi muito expressiva e resultou em dois discos, sendo um com obras de Joplin e Satie, considerado pela crítica um dos melhores do ano. A discografia de Clara Sverner, que reflete sua estética apurada e seu espírito de vanguarda, consiste em mais de 25 títulos, distribuídos internacionalmente. Festejada pelo público e crítica é a “Íntegra das Sonatas de Mozart”, em 2009.

O primeiro volume de “Mozart Por Clara Sverner” foi finalista do Prêmio TIM. O Vol. 2 ganhou o Prêmio TIM de melhor disco erudito. O Vol. 3 indicado ao Grammy Latino. Em 2008 participa no disco solo “Nós” de Marcelo Camelo, nas músicas “Passeando” e “Saudade”.

Em junho de 2009 no Oi Futuro apresenta-se com seu filho Muti Randolph, em um projeto inovador onde imagens são geradas a partir do piano e, em 2012, no Sónar, um dos mais prestigiados festivais do mundo em música eletrônica de vanguarda. Em 2011 o disco “Chopin por Clara Sverner” foi indicado ao Grammy Latino, na categoria de melhor disco erudito.
Em 2012, lançamento do CD “Debussy e Ravel por Clara Sverner”. Gravado em Londres, distribuído pela Azul Music.

Site Oficial da pianista
www.clarasverner.com

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