FACEIRA |
Popularíssimo no começo do século XX, segundo o texto que acompanha sua publicação no Boletim Sbat [Rio de Janeiro, nº 240, out. 1947]: “Quem conheceu a vida carioca de 1904-1905 sabe da voga incomparável, nos salões de Botafogo como da Cidade Nova, nas festas escolares obrigadas a programa artístico; no repertório dos cafés-concerto; nas tocatas dos seresteiros, em todo o Rio, de uma composição de Francisca Gonzaga, Faceira, com letra de Cardoso Junior. (Não confundir com o cateretê Menina faceira, escrito por Chiquinha Gonzaga em 1885 para a peça de Palhares Ribeiro, A corte na roça e que foi também divulgadíssimo).” Também é o caso de não confundi-lo com o tango Faceiro. O raconto Faceira foi incluído em A batota, revista em 1 ato e 4 quadros, escrita pelo autor português Baptista Dinis (1859-1913), representada no Teatro Trindade, de Lisboa, em 1908, durante temporada em que a maestrina residiu na cidade. É também conhecido como Faceira escuta.
letra de Cardozo Junior
1.
Um dia sentindo
Que um moço na rua
Me vinha seguindo,
Meu rosto voltei.
O moço era lindo,
Fitou-me sorrindo,
Mas eu, entre sustos,
O andar apressei!
2.
Correndo, ligeira,
Em pouco meus passos
Já eram carreira.
O moço, porém,
Gritou-me: – Faceira,
Que inútil canseira!
E o quanto eu corria,
Corria também.
3.
Então, já zangada,
Tornando a voltar-me,
Bradei-lhe, exaltada:
“Que quer o senhor?”
E em voz inflamada,
Bonita, elevada,
O moço falou-me
De coisas de amor!
4.
Seus olhos vorazes
Ardiam, quais pontas
De duas tenazes,
Num rubro clarão.
Seus lábios, vivazes,
Diziam-me frases
Que entravam, bem fundo,
No meu coração.
5.
Gostei do seu porte!
E o resto é que em breve,
Num doce transporte,
Jurei dele ser!
E o sou, que era sorte!
E até vir a morte
É só nos seus braços
Que eu quero viver!





