IAIÁ FAZENDA ETC. E... TAL!...

Esta canção alcançou sucesso quando lançada nos primeiros anos do século XX, publicada por Manoel Antônio Gomes Guimarães, o que lhe garantiu reedições mais tarde pela casa Vieira Machado e também pela própria autora. Sobre o autor dos versos, supomos tratar-se do poeta e teatrólogo Fernando Pinto de Almeida Junior (1845-1914). Foi gravada por Risoleta (voz) e orquestra, em disco Columbia, provavelmente em 1911; e por Marcus Viana (violino) e Maria Teresa Madeira (piano), em 1999. Risoleta gravou também uma paródia com o título A baiana dos pastéis, em dueto com Eduardo das Neves,em disco Odeon, sendo o autor dos versos desconhecido.

letra de F. P. Almeida Junior

 (Entra da rua vestida a caráter tendo à cabeça um pequeno balaio com frutas

rolando-se para fora, apregoando)

Chega!… Chega freguesia! Quem gostar… Compre, pague e vá andando! (coloca o

balaio de grutas e de humor alegre)

Agora: verdade, verdade!… Lá que todos gostam… Não há dúvia, como dizia Ioiô

Bahia, na sua vespra dos Reis!… E entonces das muquecas feitas cá pela mão de Iaiá

Fazenda?… Não há este que prove… e que não saia

lambendo os beiço!… (Tomando uma fruta). Custa caro!… Mas é bom!…

(Canta)

Sou baiana de maçada,

Sou mais esquiva que um gamo!

Vendo fruta açucarada,

Iaiá Fazenda me chamo!

Quando ouço uma chalaça…

Dou no meu beiço um muxoxo!

Afrouxo!…

Ainda mesmo que assim faça,

Toda gente que me vê

Uê!..

Não vê!..

Que a muqueca tem dendê!…

Olá!..

Caruru! E Vatapá!

Iaiá!…

Tem caroço o cambuca!

Ioiô!…

Não me derrame o zorô…

Azia!…

É moléstia da Bahia!

Costumo a vender bem caro,

O marisco e a tarioba!

Conheço o freguês no faro…

Encareço a mão de obra!

Não me deixo assim levar,

Pelo primeiro que chora…

Embora!

Saiba bem ele cantar!

E mais um ou dois me dê!…

Uê!…

Não vê!…

etc.

(Coloca a fruta no balaio, e com denguice e

requebros)

Apois… é assim mesmo! Eu cá tenho muitos ciúmes das minhas fenota*… dos meus

guisados e mexidos!… O freguês chega, vê, toma o cheiro… mas não lhe toca nem lhe

mexe… antes de pagar! Isto é que não! Pois não vistes!… E quando aparece algum

teimoso… algum filante que se adianta-se… Eu ponho-lhe embargo às ligeirezas,

dizendo sem receio… sem rebuços… Mas entonce, com todas as meiguice!… Ó moço!…

apare o Bonds!…

e vá saindo de barriga!…

(Canta)

Tenha cuidado

Meu Ioiozinho

Veja a fazenda

Se quer comprar!

Mas não lhe toque!…

Mas não lhe mexa!…

Que o meu quitute

Pode azedar!…

Esta frutinha

É delicada

É saborosa

Como não há!

Não tem caroço

Não tem pevide

Mas tem o gosto

Do Cambuca!

Do Cambucá!

Ai!… Tudo isto é bom!

Ai!… É de encomenda!

Tudo o que tem,

Iaiá Fazenda!…

(bis)

(Olhando para fora e apregoando)

Chega! Chega freguesia! (dizendo desconsolada)

E ninguém! Até, agora ninguém!… Nada de féria!…

Ó ferro!… nunca vi tão pouco aço!… Hoje parece que fico em vinte e nove!…

Também, tudo está pela hora da morte! (Apregoando) Chega!… Chega freguesia!…

E nada!… Entonce… já que todo o mundo faz seus reclame!… Vou também

continuando a encarecê minha fazenda.

(Canta)

Sou baiana, etc.

(Indo a sair)

Chega!… chega freguesia!… Quem gostar compre…

pague… e vá andando (sai) (Os primeiros compassos

dos últimos conplets devem ser executados na

Orquestra enquanto ela vai saindo)

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