CARTA A ZITINHA |
Publicada por Artur Napoleão e Cia. na série Canto Português – Coleção de Romances, Modinhas, Lundus, etc., com acompanhamento de piano. Filinto de Almeida (1857-1945), poeta, jornalista e comediógrafo, formou com o também autor Valentim Magalhães (1859-1903) o que a imprensa chamava “firma literária”. Chiquinha Gonzaga colaborou em dois trabalhos teatrais da dupla famosa: A mulher-homem, revista cômico-fantástica dos acontecimentos de 1885, ao lado de outros grandes compositores como Henrique Alves de Mesquita e Carlos Cavalier; e assinando a música original da revista do ano de 1888, Abolindemrepcochindegó, curioso título formado com as primeiras letras das palavras que denunciavam as principais questões do ano: Abolição, Indenização, República, Cotegipe, os chineses que estiveram no Rio, e a chegada do meteorito de Bendegó.
letra de Filintro de Almeida
1.
Lembramo-nos bem partiste
Depois de um saudoso adeus
E foste doente e triste
Pomba, em busca de outros céus!
Lá onde a luz se desdobra,
Em róseas vagas no ar
Certo há a alegria de sobra
Para teus males curar.
2.
Lá pelo bosque selvagem
Que pupureja a manhã
Povoa anima a paisagem
Como uma deusa pagã.
Folga e ri! Passeia e canta!
E, errante pássaro exul
Sorve os perfumes da planta
Embebe as asas no azul!
3.
E diga o vale no meio
De sol e pássaros mil
Olhai doentinha que veio
Hoje é um sorriso de Abril!
Flor dos claros frutos lampos
Cede os tons da tua cor
E enquanto estás pelos campos
Ensina a flor a ser flor.





