MODINHA BRASILEIRA DE LYDIA, da peça de costumes cariocas NÃO VENHAS!... |
Caso curioso de aproveitamento contínuo de músicas no teatro musicado do início do século passado, esta modinha também protagonizou um escândalo: a partitura foi publicada por Manoel Antônio Gomes Guimarães em 1904 como música integrante da peça de costumes cariocas em 3 atos e 10 quadros Não venhas!…, escrita por Batista Coelho (João Foca) como paródia do drama Quo Vadis, que teve versos do poeta Cardoso Junior e foi representada no Teatro Apolo em janeiro daquele ano com grande sucesso. Acontece que a modinha havia sido composta muito antes, c. 1878, com o título de Bela rosa. Em 1929, a melodia reapareceu no mercado em edição da Casa Vieira Machado e gravação da Odeon com o título de Casa de caboclo, tendo o compositor Hekel Tavares (1896-1969) como autor, o que foi prontamente contestado pela compositora Chiquinha Gonzaga em disputa que ficou famosa e que teve a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (Sbat) como mediadora. A letra de Casa de caboclo coube ao revistógrafo e caricaturista Luiz Peixoto (1889-1973). Teria sido ligeiramente modificada na sua harmonização por Hekel Tavares, conforme denúncia da maestrina. Com o título Não venhas!… outras músicas foram publicadas, e estão no Acervo Digital Chiquinha Gonzaga: Coplas do Pedrinho, um dobrado carnavalesco, três duetos (de Marcolino e Lídia, de Neri e Dorotea, de Pedrinho e Eunícia), um fado e uma valsa.
letra de Cardoso Junior
Por que estás assim, chorosa Bela rosa?
Algum mal te aconteceu?
Acaso a louca e vaidosa Mariposa
Hoje beijos te não deu?
Se foi ela a caprichosa Mariposa
Causadora do mal teu;
Tem paciência, formosa, pois mimosa,
Desse mal me queixo eu.
Por que te inclinas, formosa desditosa?
Que sofrer amargo é o teu
Por que estás tão lacrimosa Bela rosa?
Que a brisa cruel perdeu?
Quem no mundo amor não goza, Bela rosa
Tem martírios como o teu…
Eu também sou desditosa, pois formosa
Desse mal me queixo eu.
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