VAMOS À MISSA...

Publicada por Manoel Antônio Gomes Guimarães – a quem Chiquinha Gonzaga vendeu a composição em junho de 1901 como ‘tango’ –, é dedicada a Machado e Maria Lino, intérpretes de cançonetas da compositora nos palcos dos chopes-berrantes. São do ator Machado Careca os versos que popularizaram o Corta-jaca. Maria Lino fez par, uma década depois, com o dançarino Duque, divulgando o tango brasileiro (maxixe) para plateias francesas.

letra de Francisca Gonzaga

 Ai! Ai! Dona Ritinha!

Ai! Ai! Seu Juquinha!

Para onde vai

Ouvir a missa

É sério?

Sim, senhor.

Ai! meu amor!

Ai! meu amor!

(falado) E se eu fosse também… à missa…

(Tossindo)

Hum! Hum!

Hum! Hum!

(Velhacamente atira-se a D. Ritinha)

Dona Ritinha

Eu vou também

Se não espera

Por alguém

(Ela, com mistério)

Seu Juquinha

Eu volto já,

Acho melhor

Ficar por cá

(Ela, à parte, suspirando)

Ai! se ele fosse…

(Ele)

Quem ama não tem sucêgo

Ai! Dona Ritinha

(Vai abraçá-la)

(Ela)

Gentes! Seu Juquinha, não faça bulha…

(Ele)

Pois sim! meus quitutes, mas… vamos à missa?

(Ela, com requebros)

O que se há de fazer…

Seu Juquinha é teimoso…

Vamos à missa

Sem mais tardar

Ouvir missa,

Sem receio.

Do papa anda mamã

Que foi dar o seu passeio

Adeusinho

Meus senhores

Vou correndo à igrejinha

Sem deixar

Um só momento.

(Ela) O meu querido Juquinha

(Ele) A minha Dona Ritinha

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