{"id":642,"date":"2011-10-18T20:00:01","date_gmt":"2011-10-18T23:00:01","guid":{"rendered":"http:\/\/chiquinhagonzaga.com\/wp\/?p=642"},"modified":"2023-10-16T16:20:23","modified_gmt":"2023-10-16T16:20:23","slug":"acervo-digital-chiquinha-gonzaga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/chiquinhagonzaga.com\/wp\/acervo-digital-chiquinha-gonzaga\/","title":{"rendered":"Acervo Digital Chiquinha Gonzaga"},"content":{"rendered":"\n<p>Diferentemente da sua hist\u00f3ria biogr\u00e1fica, mais de 95% da obra de Chiquinha Gonzaga ainda se encontrava desconhecida e inacess\u00edvel, deixando uma lacuna misteriosa nesta parte da hist\u00f3ria sobre o nascimento da identidade musical brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>A grande not\u00edcia \u00e9 que, desde em 2011, foram recuperadas mais de 280 m\u00fasicas para piano solo e piano e canto de sua autoria e disponibilizadas gratuitamente no site Acervo Digital Chiquinha Gonzaga. Este recorte da obra fundamental de Chiquinha receber\u00e1 nova edi\u00e7\u00e3o, com revis\u00e3o musicol\u00f3gica de Alexandre Dias. Coment\u00e1rios ser\u00e3o inseridos nas partituras pela bi\u00f3grafa de Chiquinha, Edinha Diniz, trazendo \u00e0 luz, informa\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas sobre os bastidores da sua pesquisa. As partituras receber\u00e3o padroniza\u00e7\u00e3o visual e ser\u00e3o formatadas em duas vers\u00f5es: original, utilizando como base sua 1\u00aa publica\u00e7\u00e3o e manuscritos, e, com a inser\u00e7\u00e3o de cifras, facilitando o acesso a um maior n\u00famero de m\u00fasicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as a uma hist\u00f3ria de comprometimento com a mem\u00f3ria da compositora, iniciada por Jo\u00e3o Batista Fernandes Lages (Jo\u00e3ozinho, assim chamado por Chiquinha, seu \u00faltimo companheiro e foi quem organizou todo o acervo pessoal da maestrina), a folclorista Mariza Lira em 1939, e aperfei\u00e7oada e revisada posteriormente pela bi\u00f3grafa Edinha Diniz, resultando em in\u00fameras iniciativas que v\u00eam mantendo vivo e presente o nome Chiquinha Gonzaga atrav\u00e9s dos tempos e gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O site ChiquinhaGonzaga.com faz parte desta hist\u00f3ria. H\u00e1 mais de 11 anos no ar, divulga informa\u00e7\u00f5es sobre a maestrina e coleciona admiradores e parceiros pelo Brasil e pelo mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Wandrei Braga e Alexandre Dias, pianistas e coordenadores do Acervo Digital, 2011. Foto: Cintia Coelho<br>Em 2009, encantada com o repert\u00f3rio pouco conhecido de Chiquinha Gonzaga, a professora de piano e tamb\u00e9m pioneira, Neusa Fran\u00e7a, organizou na Embaixada de Portugal, em Bras\u00edlia, um recital que chamou de \u201cSaudades de Chiquinha Gonzaga\u201d com a participa\u00e7\u00e3o de mais de vinte pianistas convidados, entre eles Alexandre Dias e Wandrei Braga, criador do site ChiquinhaGonzaga.com. Nesta ocasi\u00e3o, e aproveitando o encerramento do projeto de recupera\u00e7\u00e3o da obra de Ernesto Nazareth em que Alexandre Dias trabalhou como revisor musicol\u00f3gico, Wandrei e Alexandre deram in\u00edcio \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de um sonho h\u00e1 muito desejado: iniciaram a elabora\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o de um projeto que tamb\u00e9m recuperaria a obra de Chiquinha Gonzaga.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto Acervo Digital Chiquinha Gonzaga, consequ\u00eancia dessa hist\u00f3ria sobre a preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria de Chiquinha, foi aprovado pelo Edital Nacional do Natural Musical em 2010, regido pela Lei de Incentivo \u00e0 Cultura do Minist\u00e9rio da Cultura, sendo um dos quatro aprovados, dentre 860 projetos apresentados. Acreditamos que as parcerias envolvidas na composi\u00e7\u00e3o do projeto foram fundamentais para esta importante conquista: Instituto Moreira Salles (mantenedor do acervo Chiquinha Gonzaga); Edinha Diniz (Bi\u00f3grafa de Chiquinha Gonzaga); ChiquinhaGonzaga.com (website dedicado \u00e0 maestrina desde 1999); Portal Musica Brasilis (realizador do projeto semelhante com a obra de Ernesto Nazareth), Alexandre Dias (revisor music\u00f3logo da obra completa de Ernesto Nazareth) e a Escola Port\u00e1til de M\u00fasica \u2013 EPM (escola especializada no ensino de Choro, com mais de 800 alunos). Tudo isso somado \u00e0 dedica\u00e7\u00e3o de uma equipe comprometida e envolvida sentimentalmente com o projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Acesse: <a href=\"http:\/\/www.chiquinhagonzaga.com\/acervo\">w<strong>ww.chiquinhagonzaga.com\/acervo<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Alexandre Dias, Coordenador\/revisor music\u00f3logo\/pesquisador\/pianista<br>Wandrei Braga, Coordenador\/designer\/pesquisador\/pianista<br>Ana Carolina Pereira, Gerente de Projeto\/ Integrar Produ\u00e7\u00f5es Culturais e Eventos<br>C\u00edntia Coelho, Design Flambado<br>Douglas Passoni, m\u00fasico especialista em digita\u00e7\u00e3o musical<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Chiquinha Gonzaga renasce nos dedos de jovens pianistas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>por Nyldo Moreira, &nbsp;18 de novembro de 2011<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o teria sido poss\u00edvel realizar um encontro entre Chiquinha Gonzaga e os jovens pianistas Alexandre Dias e Wandrei Braga, pois antes mesmo que os dois poetas das teclas tivessem vindo ao mundo, a primeira mulher a compor uma can\u00e7\u00e3o no Brasil deixara os saraus da vida, para os do c\u00e9u. Foi aos onze anos de idade, que Chiquinha come\u00e7ou a compor, e agora, em 2011, os pianistas Alexandre e Wandrei reuniram, junto ao Instituto Moreira Salles, um acervo digital da compositora, e o lan\u00e7aram nas cidades do Rio de Janeiro, Bras\u00edlia e encerraram em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Francisca Edwiges Neves Gonzaga, conhecida como Chiquinha Gonzaga, nasceu no ano de 1847, filha do general do Ex\u00e9rcito Imperial Brasileiro com uma humilde negra, que passou-lhe nos genes o gosto pelos ritmos populares, entoados em rodas pelos escravos. Chiquinha frequentava os encontros destes povos e buscava inspira\u00e7\u00f5es para suas futuras obras. A primeira mulher a se expor tocando um instrumento e compondo can\u00e7\u00f5es separou-se do primeiro marido e foi impedida de criar os filhos menores, ela passou a tocar em troca do sustento do filho mais velho, o que p\u00f4de criar.<\/p>\n\n\n\n<p>Chiquinha introduziu as mais influentes partituras no teatro brasileiro e fundou a Sociedade Brasileira dos Autores Teatrais, ao todo ela comp\u00f4s 77 m\u00fasicas para pe\u00e7as. O pianista Alexandre Dias, em sua apresenta\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo deixou a for\u00e7a de Chiquinha Gonzaga tomar-lhe no palco e interpretou uma dessas pe\u00e7as, tocando a introdu\u00e7\u00e3o do primeiro ato de \u201cFantasia\u201d, o que lhe rendeu ova\u00e7\u00e3o e muitos aplausos. Aquela interpreta\u00e7\u00e3o foi al\u00e9m do que se pode emocionar, o pianista compactuou com a compositora o mesmo talento em frente a um piano, e demonstrou a afinidade com as teclas e a paix\u00e3o que sente por elas.<\/p>\n\n\n\n<p>Chiquinha Gonzaga adentrou com suas composi\u00e7\u00f5es no Pal\u00e1cio do Catete, sede do Governo brasileiro no Rio de Janeiro. Ela era amiga da primeira-dama Nair de Tef\u00e9, que casou-se com o presidente Hermes da Fonseca. Chiquinha foi duramente criticada por tocar um maxixe nas depend\u00eancias do Pal\u00e1cio, e mesmo assim tornou espl\u00eandido diversos ritmos que fizeram sucesso em seus dedos pelas teclas, as polcas, valsas, tangos, fados, lundus, quadrilhas e serenatas, al\u00e9m do choro, que marcou sua carreira a intitulando como primeira chorona brasileira. As can\u00e7\u00f5es \u201cLinda Morena\u201d e \u201cCarij\u00f3\u201d foram relembradas por Alexandre Dias, com total maestria.<\/p>\n\n\n\n<p>O pianista Wandrei Braga calou-me de emo\u00e7\u00e3o e deixou meus ouvidos chegarem ao piano que posto sobre o palco vazava aquela famosa composi\u00e7\u00e3o de Chiquinha, \u201cLua Branca\u201d, tamb\u00e9m trouxe ao teatro as can\u00e7\u00f5es divinas \u201cAgnus Dei\u201d, \u201cAve Maria\u201d e \u201cPrece a Nossa Senhora das Dores\u201d em adapta\u00e7\u00f5es para piano solo. Os olhos de Chiquinha Gonzaga passeavam pelo palco celebrando-se no cen\u00e1rio ao fundo, que mostrava-nos silhuetas de partituras, frases e fotos da compositora. A polca \u201cAtraente\u201d, grande sucesso, contagiava-me com a vontade de sair bailando pelo teatro. O sorriso t\u00edmido de Chiquinha era quase igual a timidez de Wandrei, que cada vez que olhava para o p\u00fablico buscava o f\u00f4lego vivaz para mais uma can\u00e7\u00e3o que beijava o lindo piano.<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m jamais me far\u00e1 tirar da cabe\u00e7a que o piano \u00e9 o mais lindo entre os instrumentos, ele \u00e9 a reg\u00eancia de vorazes orquestras e o cora\u00e7\u00e3o destes dois pianistas, Alexandre Dias e Wandrei Braga, que deram mais uma vez os merecidos aplausos e m\u00e9ritos a Chiquinha Gonzaga. Ontem (17) o suntuoso Teatro Humboldt estava vazio, mas ganhou as poltronas com cada nota que corria as fileiras. \u00c9 uma pena que a cultura ainda atinja poucos, e a informa\u00e7\u00e3o sobre estes eventos n\u00e3o seja valorizada. Os ingressos n\u00e3o custavam mais do que 10 reais, al\u00e9m disso um quilo de alimento substitu\u00eda o valor.<\/p>\n\n\n\n<p>O acervo digital, reunido pelos pianistas e o Instituto Moreira Salles, est\u00e1 livre para acesso e nele encontram-se as obras inteiras da compositora que estreou a m\u00fasica popular brasileira, no site www.chiquinhagonzaga.com\/acervo. O projeto \u00e9 incentivado pelo Minist\u00e9rio da Cultura e patrocinado pela Natura. Espero sempre os encontrar por todo canto, espelhando a musicalidade popular de Chiquinha Gonzaga e sua genial maestria de fazer m\u00fasica, regendo-se pelos gal\u00e3s dedos de Alexandre e Wandrei. Assim como ela entrou pra hist\u00f3ria, os dois continuam tecendo-a e fazendo-a.<\/p>\n\n\n\n<p>Texto publicado no blog <a href=\"http:\/\/tangoseboleros.blogspot.com.br\/2011\/11\/chiquinha-gonzaga-renasce-nos-dedos-de.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tangos e Boleros<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diferentemente da sua hist\u00f3ria biogr\u00e1fica, mais de 95% da obra de Chiquinha Gonzaga ainda se encontrava desconhecida e inacess\u00edvel, deixando uma lacuna misteriosa nesta parte da hist\u00f3ria sobre o nascimento da identidade musical brasileira. 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