{"id":2900,"date":"2015-02-13T11:03:45","date_gmt":"2015-02-13T13:03:45","guid":{"rendered":"http:\/\/chiquinhagonzaga.com\/wp\/?p=2900"},"modified":"2015-02-13T11:03:45","modified_gmt":"2015-02-13T13:03:45","slug":"aplausos-para-quem-abriu-alas-e-eternizou-se-na-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/chiquinhagonzaga.com\/wp\/aplausos-para-quem-abriu-alas-e-eternizou-se-na-historia\/","title":{"rendered":"Aplausos para quem abriu alas e eternizou-se na hist\u00f3ria, artigo exclusivo para o site CG.com"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">Por&nbsp;<strong>Maristela Rocha<\/strong>&nbsp;, texto in\u00e9dito e exclusivo para o site ChiquinhaGonzaga.com<\/p>\n<p>H\u00e1 oitenta anos, no dia 28 de fevereiro, antev\u00e9spera de carnaval, partia Chiquinha Gonzaga (1847\/1935). O que faz a compositora, pianista e maestrina carioca parecer t\u00e3o contempor\u00e2nea e ser rememorada tantos anos ap\u00f3s a sua morte? Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica, IBGE, mais de um milh\u00e3o de mulheres s\u00e3o agredidas a cada ano no Brasil. A viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 um problema social e de sa\u00fade que alcan\u00e7a propor\u00e7\u00f5es inimagin\u00e1veis, al\u00e9m de demandar a\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas p\u00fablicas. Levando-se em considera\u00e7\u00e3o estat\u00edsticas da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, OMS, entre 84 pa\u00edses do mundo, o Brasil ocupava a 7\u00aa coloca\u00e7\u00e3o em n\u00edveis de feminic\u00eddio (Mapa da Viol\u00eancia 2012. Taxas de homic\u00eddio feminino (em 100 mil mulheres), em 84 pa\u00edses do mundo. Est\u00e3o nas primeiras posi\u00e7\u00f5es El Salvador, Trinidad e Tobago, Guatemala, R\u00fassia, Col\u00f4mbia e Belize. ), informa\u00e7\u00f5es essas fundamentadas a partir de pesquisas realizadas entre 2006 e 2010. De acordo com os dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, s\u00e3o estimadas 5.664 mortes de mulheres por causas violentas a cada ano no Brasil, uma a cada hora e meia.<\/p>\n<p>A lei Maria da Penha, de comprovada relev\u00e2ncia, ainda n\u00e3o surte o efeito almejado. Apesar de estabelecer as formas de viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher al\u00e9m da f\u00edsica, como psicol\u00f3gica, sexual, patrimonial e moral, bem como proibir as penas pecuni\u00e1rias (pagamento de multas ou cestas b\u00e1sicas), dentre outras inova\u00e7\u00f5es importantes, tem na contram\u00e3o as mulheres que acabam renunciando \u00e0 den\u00fancia por motivos diversos.<\/p>\n<p>Adentramos o s\u00e9culo XXI com atrocidades antigas como a mutila\u00e7\u00e3o genital feminina, pr\u00e1tica ainda vigente em 29 pa\u00edses do mundo. Um estudo do American Journal of Public Health, segundo a BBCBrasil , aponta que 48 mulheres s\u00e3o violentadas a cada hora na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. De acordo com informa\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, ONU, at\u00e9 2030, outras 86 milh\u00f5es de mulheres dever\u00e3o ter a vagina mutilada, al\u00e9m das 150 milh\u00f5es que j\u00e1 passaram pela circuncis\u00e3o.<\/p>\n<p>Afeganist\u00e3o, Paquist\u00e3o, China, Eti\u00f3pia, Ar\u00e1bia Saudita, Nepal e \u00cdndia est\u00e3o entre os pa\u00edses que protagonizam a viol\u00eancia contra a mulher. Ataques de repercuss\u00e3o mundial, como o rapto de 300 alunas realizado pelo grupo Boko Haram na Nig\u00e9ria, bem como o atentado contra a pr\u00eamio Nobel da Paz de 2014, Malala Yousafzai, no Paquist\u00e3o, ilustram o drama de meninas em todo o mundo, conforme registra o escrit\u00f3rio de direitos humanos da ONU.<\/p>\n<h2>O ideal da liberdade e da emancipa\u00e7\u00e3o feminina<\/h2>\n<p>O que se podia esperar de uma figura feminina da sociedade carioca escravocrata, patriarcal e dominadora do s\u00e9culo XIX? Certamente que ela representasse os ideais vigentes, dedicando-se ao lar e aos predicados valorizados como o bordado e a pr\u00e1tica musical para os saraus familiares. Entretanto, com seu pendor para a ruptura, Chiquinha Gonzaga ultrapassava os limites impostos naquele tempo, firmando-se como mulher independente e profissional da m\u00fasica.<\/p>\n<p>Personagem hist\u00f3rica com postura pertinente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de outsider, Chiquinha Gonzaga, atrav\u00e9s da sua trajet\u00f3ria pessoal e da sua obra, contribuiu para a dissemina\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios e valores republicanos na sociedade. Ademais, trata-se de uma personalidade que legou \u00e0 cultura nacional cerca de 2000 composi\u00e7\u00f5es e foi vanguardista em aspectos relevantes para a hist\u00f3ria do Brasil: primeira maestrina e pioneira no teatro musicado, \u201cA Corte na Ro\u00e7a\u201d, em 1885; precursora na m\u00fasica para carnaval de rua, \u201c\u00d3 abre alas\u201d, 1899 (marcha-rancho, inicialmente utilizada na pe\u00e7a \u201cN\u00e3o Venhas!\u201d), na luta pelos direitos da mulher e da participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3, integrando movimentos como a Revolta do Vint\u00e9m, as campanhas abolicionista e republicana; primeira mulher, reconhecidamente, a se apresentar como profissional da m\u00fasica no exterior (1906); e, ainda, vanguardista na luta pelos direitos de autor, ajudando a fundar a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, SBAT, em 1917.<br \/>\nSens\u00edvel \u00e0s causas do seu tempo, Chiquinha se tornou uma das pioneiras na atua\u00e7\u00e3o, como mulher e artista, em causas pol\u00edticas e sociais. A import\u00e2ncia de Chiquinha nessas manifesta\u00e7\u00f5es teve destaque devido \u00e0 sua expressiva produ\u00e7\u00e3o musical. Por isso ela \u00e9 uma personalidade relevante, n\u00e3o somente para a academia musical, mas para a hist\u00f3ria cultural do Brasil.<\/p>\n<p>Como os vest\u00edgios, as pistas que informam sobre a hist\u00f3ria da imprensa na cidade do Rio de Janeiro podem estar contidos em outras fontes, al\u00e9m da m\u00eddia tradicional, a obra de Chiquinha se apresenta rica em informa\u00e7\u00f5es e elementos para an\u00e1lise das pr\u00e1ticas sociais. A compositora acompanhava atentamente os acontecimentos pol\u00edticos e socioculturais. Obras como \u201cAnimat\u00f3grapho\u201d, \u201c\u00c1gua do vint\u00e9m\u201d, \u201cPeh\u00f4 Pekim\u201d, \u201cCarlos Gomes\u201d, \u201cO Di\u00e1rio de Not\u00edcias\u201d, \u201cHino \u00e0 Redentora\u201d, \u201cO S\u00e9culo\u201d comunicam muitos dos acontecimentos do Rio de Janeiro. Um exemplo relativo ao teatro de revista \u00e9 a pe\u00e7a \u201cAbolindemrepcochindego\u201d, de 1888, escrita por Valentim Magalh\u00e3es e Filinto de Almeida: uma men\u00e7\u00e3o \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o pretendida pelos senhores de escravos, \u00e0 campanha republicana, ao minist\u00e9rio Cotegipe, \u00e0 visita de chineses ao Rio e \u00e0 chegada do meteorito de Bendeg\u00f3.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel, tamb\u00e9m, encontrar em algumas das suas obras respostas \u00e0s afrontas quanto ao seu modo de vida publicadas em folhas impressas. Muitas vezes era mencionada na imprensa libertina do seu tempo, inclusive em par\u00f3dias que a ridicularizavam, em uma forte demonstra\u00e7\u00e3o de sua condi\u00e7\u00e3o outsider perante a elite conservadora que a cercava. Percebe-se, a posteriori, que Chiquinha Gonzaga \u00e9 enaltecida como uma das maiores figuras femininas do Brasil.<\/p>\n<h2>Muito al\u00e9m de \u201c\u00d3 abre alas\u201d<\/h2>\n<p>Reverenciar Chiquinha Gonzaga no carnaval pode parecer redund\u00e2ncia, sobretudo para os apaixonados por sua hist\u00f3ria e sua obra. Pode ser tamb\u00e9m um ideal de quem pretenda, de alguma forma, mas obstinadamente, perpetuar a mem\u00f3ria da compositora na cultura nacional. \u201c\u00d3 abre alas\u201d talvez seja seu trabalho mais conhecido por parte do grande p\u00fablico e sempre integra o repert\u00f3rio das folias de momo que ainda preservam o repert\u00f3rio carnavalesco tradicional brasileiro.<\/p>\n<p>A populariza\u00e7\u00e3o da marcha-rancho \u201c\u00d3 abre alas\u201d, inspirada no cord\u00e3o Rosa de Ouro, sediado no bairro Andara\u00ed, onde a compositora morava, a consagrou como pioneira na m\u00fasica para carnaval de rua. Embora os cord\u00f5es j\u00e1 utilizassem can\u00e7\u00f5es, coube a Chiquinha fixar o g\u00eanero. Essa composi\u00e7\u00e3o enfatizava o carnaval como festa popular e, dessa forma, a m\u00fasica da rua passava, posteriormente, a integrar o repert\u00f3rio dos bailes nos sal\u00f5es. Al\u00e9m dos versos que enfatizam um ato desafiador, n\u00e3o poder\u00edamos deixar de apontar que, mais uma vez, Chiquinha Gonzaga ampliava o seu espa\u00e7o de provoca\u00e7\u00e3o e de liberdade.<\/p>\n<p>Se consultadas as biografias da compositora, pode-se afirmar que autoconfian\u00e7a, ousadia e \u00e2nsia de liberdade eram marcas da vida pessoal de Chiquinha. No caso da compositora, conforme paradigma daquele tempo-espa\u00e7o, a estrutura familiar centrada na imposi\u00e7\u00e3o paterna, na aus\u00eancia de um di\u00e1logo franco, espont\u00e2neo e, naturalmente, na rela\u00e7\u00e3o conflituosa haveria, naturalmente, de desencadear uma s\u00e9rie de problemas. A religiosidade, a dedica\u00e7\u00e3o aos afazeres dom\u00e9sticos, o ensino limitado, visando apenas o bom desempenho na vida social, n\u00e3o poderiam, certamente, convencer jovens com \u00edmpeto de realiza\u00e7\u00e3o de suas aspira\u00e7\u00f5es, como Chiquinha Gonzaga.<\/p>\n<p>Entretanto, as mulheres que sa\u00edam da reclus\u00e3o dom\u00e9stica e iniciavam uma vida social, deveriam, al\u00e9m da beleza, exibir a cultura adquirida nas novelas dos folhetins, contribuindo para a forma\u00e7\u00e3o de um p\u00fablico para as produ\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas. Tratava-se de um p\u00fablico burgu\u00eas, ainda impregnado da ideologia conservadora do sistema escravista colonial, que inviabilizava a circula\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas de car\u00e1ter mais cr\u00edtico.<\/p>\n<p>Entretanto, Chiquinha, com a sua capacidade de romper com o paradigma daquela \u00e9poca, contribuiu de forma acentuada para a nossa reflex\u00e3o acerca da condi\u00e7\u00e3o da mulher na-quele tempo e contexto hist\u00f3ricos. Seu comportamento, audacioso para os padr\u00f5es vigentes, nos faz pensar nela como leg\u00edtima precursora de alguns movimentos sociais que teriam preponder\u00e2ncia no cen\u00e1rio cultural d\u00e9cadas posteriores, como os debates acerca da quest\u00e3o de g\u00eanero e a emancipa\u00e7\u00e3o feminina no s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">Maristela Rocha \u00e9 Jornalista e professora. Doutoranda em Ci\u00eancias Sociais pela UFJF, mestre em Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura pela UFRJ, especialista em M\u00fasica Brasileira e Educa\u00e7\u00e3o Musical pela UninCor, graduada em Comunica\u00e7\u00e3o Social pela UFJF<\/p>\n<h3>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/h3>\n<p>BARBOSA, Marialva. Hist\u00f3ria Cultural da Imprensa. Brasil \u2013 1800-1900. Brasil &#8211; 1900-2000. 2 volumes. Rio de Janeiro: Mauad, 2010.<\/p>\n<p>BBCBRASIL. Mil\u00edcias usam viol\u00eancia sexual como arma de guerra no Congo. Dispon\u00edvel em http:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/noticias\/2012\/08\/120814_congo_estupro_ru.shtml. Acesso em 08.01.2015.<\/p>\n<p>CNJ. Lei Maria da Penha. Dispon\u00edvel em http:\/\/www.cnj.jus.br\/programas-de-a-a-z\/pj-lei-maria-da-penha\/lei-maria-da-penha. Acesso em 09.02.2015.<\/p>\n<p>DINIZ, Edinha. Chiquinha Gonzaga uma hist\u00f3ria de vida. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1991.<\/p>\n<p>ELIAS, Norbert &amp; SCOTSON, John L. Os Estabelecidos e os Ousiders. Sociologia das rela\u00e7\u00f5es de poder a partir de uma pequena comunidade. Trad. Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000.<\/p>\n<p>LAMARCA, Gabriela e VETTORE, Mario. S\u00e9rie: Qual \u00e9 o impacto da Lei Maria da Penha na redu\u00e7\u00e3o de homic\u00eddios femininos? (2). Dispon\u00edvel em http:\/\/dssbr.org\/site\/2014\/04\/serie-qual-o-impacto-da-lei-maria-da-penha-na-reducao-de-homicidios-femininos-2\/. Acesso em 09.02.2015.<\/p>\n<p>LAZARONI, Dalva. Chiquinha Gonzaga. Sofri e chorei. Tive muito amor. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.<\/p>\n<p>LIRA, Mariza. Chiquinha Gonzaga, grande compositora popular brasileira. Rio de Janei-ro: Funarte, 1997.<\/p>\n<p>ONUMULHERES. Entidade das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Igualdade de G\u00eanero e o Empoderamento das Mulheres. Fim da viol\u00eancia contra as mulheres. Dispon\u00edvel em http:\/\/www.onumulheres.org.br\/?page_id=93. Acesso em 08.02.2014.<\/p>\n<p>WAISELFISZ, Julio Jacobo. Mapa da Viol\u00eancia. Caderno Complementar 1: Homic\u00eddio de Mulheres no Brasil. Dispon\u00edvel em http:\/\/www.mapadaviolencia.org.br\/pdf2012\/mapa2012_mulher.pdf. Acesso em 09.01.2015.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Maristela Rocha&nbsp;, texto in\u00e9dito e exclusivo para o site ChiquinhaGonzaga.com H\u00e1 oitenta anos, no dia 28 de fevereiro, antev\u00e9spera de carnaval, partia Chiquinha Gonzaga (1847\/1935). O que faz a compositora, pianista e maestrina carioca parecer t\u00e3o contempor\u00e2nea e ser rememorada tantos anos ap\u00f3s a sua morte? 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