AI QUE BROMA!

Publicado em 1885 na Coleção Páginas Atrativas da casa Buschmann e Guimarães.

Este bolero integrava o repertório das cantoras Rose Meryss e Plácida dos Santos. Rose Meryss, a quem a música é dedicada, era atriz dramática e também festejadíssima no Rio de Janeiro nas cançonetas escritas expressamente para ela.  

letra de Ernesto Matoso

Aqui perdi num belo dia

Nesta terra Americana,

Mas filha sou de Andaluzia

Guapa niña castellaña,

E o meu querido um mocetão

Leal sincero e mui gentil

Tem nobreza e o coração

Dos bons filhos do Brasil

E fala meu idioma!

Ai que Broma!

 

De amor aceso delirante

Nossos peitos se abrasarão

Na mesa hora e mesmo instante

Que nossos olhos se avistarão.

Um dia enfim chega-se e diz:

Desejo teu conscentimento

Contigo eu quero ser feliz

Assim te peço em casamento.

Falou então meu idioma

Ai que Broma!

 

Não lhe conto que alegria!

Fez-se tudo de repente

Em mim mesmo não cabia

Não cabia de contente!

Lá no altar bem junto a mim

Se ajoelhou com mi madre

E muitas coisas em latim

Nos disse o gordo senhor padre!

Não conheço esse idioma

Ai que Broma!

 

Hoje, por Deus, estamos casados

Do que me sinto arrependida,

Pois ambos nós estamos cansados

Dos pesares desta vida

Um conselho pois vou dar:

Se alguma vez um mariola

Vos pedir pra casar

Responda em ar de graçola

Mas, diga em meu idioma

Ai que Broma!

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