POESIA E AMOR |
Composição de 1888, foi publicada por Buschmann e Guimarães como integrando o repertório da cantora Plácida dos Santos. O poeta Casimiro de Abreu (1839-1860) teve seus poemas muito popularizados após sua morte prematura. Com versos dele Chiquinha compôs a modinha Simpatia, ou O que é simpatia?. Com o titulo de Gênese e versos de Ana Terra, Poesia e amor foi gravado em 1998 por Olívia Hime (voz), acompanhada por Francis Hime (piano Kurzweil e teclado), Maurício Carrilho (violão) e Pedro Amorim (bandolim).
letra de Casemiro de Abreu
1.
A tarde que expira,
A flor que suspira,
O canto da lira,
Da lua o clarão;
Dos mares na raia
A luz que desmaia,
E as ondas na praia
Lambendo-lhe o chão;
Da noite a harmonia
Melhor que a do dia,
E a viva ardentia
Das águas do mar;
A virgem incauta,
As vozes da flauta,
E o canto do nauta
Chorando o seu lar;
2.
Os tremulos lumes,
Da fonte os queixumes,
E os meigos perfumes
Que solta o vergel;
As noites brilhantes,
E os doces instantes
Dos noivos amantes
Na lua de mel;
Do tempo nas naves
As notas suaves,
E o trino das aves
Saudando o arrebol;
As tardes estivas,
E as rosas lascivas
Erguendo-se altivas
Aos raios do sol;
3.
A gota de orvalho
Tremendo no galho
Do velho carvalho
Nas folhas do ingá;
O bater do seio,
Dos bosques no meio
O doce gorgeio
D’algum sabiá;
A orfã que chora,
A flor que se cora
Aos raios da aurora,
No albor da manhã;
Os sonhos eternos,
Os gozos mais ternos,
Os beijos maternos
E as vozes de irmã;
4.
O sino da torre
Carpindo quem morre;
E o rio que corre
Banhando o chorão;
O triste que vela
Cantando a donzela
A trova singela
Do seu coração;
A luz da alvorada
E a nuvem dourada
Qual berço de fada
Num céu todo azul;
No lago e nos brejos
Os férvidos beijos
E os loucos bafejos
Das brisas do sul;
5.
Toda essa ternura
Que a rica natura
Soletra e murmura
Nos hálitos seus,
Da terra os encantos,
Das noites os prantos,
São hinos, são cantos
Que sobem a Deus!
Os trêmulos lumes
Da veiga os perfumes,
Da fonte os queixumes,
Dos prados a flor,
Do mar a ardentia
Da noite a harmonia,
Tudo isso é – poesia!
Tudo isso é – amor!





