MORENA

Publicada por Manoel Antônio Gomes Guimarães, c. 1901.

Gravada por Marcus Viana (violino) e Maria Teresa Madeira (piano), em 1999. Não se deve confundi-la com outra canção intitulada A morena (ou Morena, morena) com versos de Ernesto de Souza, também publicada na época pelo mesmo editor.

letra de Guerra Junqueiro

 1

Não negues, confessa

Que tens certa pena

Que as mais raparigas

Te chamem morena.

Não negues, confessa

Que tens certa pena

Que as mais raparigas

Te chamem morena.

Pois eu não gostava,

Parece-me a mim

De ser o teu rosto

Da cor do jasmim

Eu não.. mas enfim

É fraca a razão

Pois pouco te importa

Que eu goste ou que não.

2.

Mas olha as violetas

Que, sendo umas pretas,

O cheiro que tem!

O cheiro que tem!

Vê lá que seria,

Se Deus as fizesse

Se Deus as fizesse

Morenas também!

Tu és a mais rara

De todas as rosas;

E as coisas mais raras

São mais preciosas.

Há rosas dobradas

E há-as singelas;

Mas são todas elas

Azuis, amarelas

3.

De cor de açucenas,

De muita outra cor;

Mas rosas morenas,

Só tu, linda flor.

De cor de açucenas,

De muita outra cor;

Mas rosas morenas,

Só tu, linda flor.

E olha que foram

Morenas o bem

As moças mais lindas

De Jerusalém.

E a virgem Maria

Não sei… mas seria

Não sei… mas seria

Morena também.

4.

Moreno era Cristo

Vê lá depois disto

Se ainda tens pena

Se ainda tens pena

Moreno era Cristo

Vê lá depois disto

Se ainda tens pena

Se ainda tens pena

Que as mais raparigas

Te chamem morena.

Que as mais raparigas

Te chamem morena.

Que as mais raparigas

Te chamem morena.

Que as mais raparigas

Te chamem morena.

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