CARNAVALESCO |
Composição de Luiz e Calixto “musicada às direitas pela maestrina Francisca Gonzaga”, anuncia a Revista da Semana, em 1912. Luiz e Calixto, autores da letra, são os caricaturistas Luiz Peixoto (1889-1973) e K. Lixto (Calixto Cordeiro / 1877-1957). Naquele ano, o jovem Luiz Peixoto estrearia em teatro pelas mãos da maestrina com a burleta Forrobodó. O curioso foi o fato de, em 1912, ter havido dois carnavais: a morte do Barão do Rio Branco a uma semana da festa fez com que o governo do Marechal Hermes da Fonseca determinasse a transferência das comemorações carnavalescas para abril! Apesar da espontânea comoção popular, a decisão de adiar o carnaval não funcionou. E o brasileiro comemorou duas vezes, inclusive gozando em marchinha o impopular presidente: “Com a morte do Barão/ tivemos dois carnavá/ Ai que bom, ai que gostoso/ Se morresse o marechá.” A expressão às direitas reforça o caráter parodístico da composição, por se declarar um “empréstimo”, um leve plágio.
letra de Luiz e Calixto
As mariposas vão pelo á,
São cor-de-rosa com listra azuis,
Queimam na luz as asa febeu
Depois não podem mais avoa!
Nós semo feito as mariposa,
Aves medrosa, pobres criança,
Os predileto carnavalesco
Que faz as glória do carnavá!
Vamos contentes, belas morena,
Vamos serena a demonstrá
Que as sempre-viva, flores amena,
São o plenilúnio do carnavá!





