AS POMBAS

A composição é de c. 1889, sobre famoso soneto de Raimundo Correia (1859-1911), magistrado, diplomata e poeta, que formou com Olavo Bilac e Alberto de Oliveira a famosa ‘trindade parnasiana’. “As pombas”, um dos mais conhecidos sonetos da língua portuguesa, saiu publicado em 1883, e valeu ao autor o epíteto de “o poeta das pombas”, que, em vida, ele tanto detestou. Raimundo Correia foi fundador da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira n. 5. Apartitura que conhecemos foi publicada pela Casa Bevilacqua, c. 1929, mas em 1903 acanção foi vendida a Manoel Antonio Guimarães. Chiquinha escreveu também partitura para orquestra de cordas, executada no célebre concerto em que ela homenageou o maestro Carlos Gomes no Imperial Teatro São Pedro, em 30 de agosto de 1889. No programa consta a designação As pombas – Idílio.

letra de Raymundo Corrêa

Vai-se a primeira pomba despertada,

Vai- se outra mais, mais outra, enfim dezenas

De pombas vão-se dos pombais, apenas

Raia sanguínea e fresca a madrugada.

 

E à tarde, quando a rígida nortada

Sopra, aos pombais, de novo, elas serenas,

Ruflando as asas, sacudindo as penas,

Voltam todas em bando e em revoada.

 

Também dos corações onde abotoam,

Os sonhos, um por um, céleres voam

Como voam as pombas dos pombais.

 

No azul da adolescência as asas soltam,

Fogem, mas aos pombais as pombas voltam,

E eles aos corações não voltam mais.

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